O ESTADO E O SETOR AEROESPACIAL: UMA ANÁLISE NECESSÁRIA THE STATE AND THE AEROSPACE SECTOR: A NECESSARY ANALYSIS
Conteúdo do artigo principal
Resumo
Este artigo tece uma análise crítica ao discurso liberal predominante que advoga pela redução do papel do Estado na economia, utilizando como contraponto empírico a trajetória de desenvolvimento do setor aeroespacial global. A partir de uma revisão bibliográfica qualitativa e análise histórica comparada, o estudo demonstra que a narrativa neoliberal, fundada na suposta superioridade da iniciativa privada e na ineficiência estatal, omite a evidência histórica de que a indústria aeronáutica foi estruturalmente moldada, financiada e impulsionada pela ação direta do Estado. A pesquisa percorre os principais marcos do setor, desde seu surgimento vinculado às demandas militares da Primeira Guerra Mundial, passando pelo salto tecnológico e produtivo da Segunda Guerra, pela competição estratégica da Guerra Fria, até os casos de industrialização bem-sucedida em países de desenvolvimento tardio, como Brasil e Coreia do Sul. Argumenta-se que o financiamento público em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), as compras governamentais como garantia de demanda, os subsídios estratégicos e a regulação orientada foram elementos decisivos para a geração de inovações radicais e para a consolidação de empresas líderes mundiais, como Boeing, Airbus e Embraer. Conclui-se que o Estado atuou, ao contrário do preceito liberal, como o principal investidor de longo prazo, assumindo os riscos, criador de mercados e articulador de capacitações tecnológicas nacionais, sendo um agente indispensável para o desenvolvimento de setores estratégicos de alta complexidade e capital intensivo. O estudo reforça a relevância das políticas industriais ativas e questiona a validade universal das prescrições de Estado mínimo para o desenvolvimento econômico e tecnológico.
Abstract
This article provides a critical analysis of the prevailing liberal discourse advocating for a reduced role of the State in the economy, using the development trajectory of the global aerospace sector as an empirical counterpoint. Through qualitative bibliographic review and comparative historical analysis, the study demonstrates that the neoliberal narrative — founded on the alleged superiority of private initiative and state inefficiency — omits the historical evidence that the aeronautical industry was structurally shaped, financed, and driven by direct state action. The research traces the sector’s key milestones, from its emergence linked to military demands in World War I, through the technological and productive leap of World War II, the strategic competition of the Cold War, to successful industrialization cases in late-developing countries such as Brazil and South Korea. It is argued that public funding for Research & Development (R&D), government procurement as a demand guarantee, strategic subsidies, and directed regulation were decisive elements in generating radical innovations and consolidating world-leading companies such as Boeing, Airbus, and Embraer. The conclusion is that the State acted, contrary to liberal doctrine, as the primary long-term investor, risk-taker, market creator, and articulator of national technological capabilities, proving to be an indispensable agent for the development of strategic, high-complexity, and capital-intensive sectors. The study reinforces the relevance of active industrial policies and questions the universal validity of minimal-state prescriptions for economic and technological development.
Keywords: State; Aeronautic sector; Aerospace industry; Technological development.
Downloads
Detalhes do artigo

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.