ENTRE REGULAÇÃO E AUTONOMIA: A GOVERNANÇA DAS CONCESSÕES AEROPORTUÁRIAS NO BRASIL E SEUS LIMITES ESTRUTURAIS BETWEEN REGULATION AND AUTONOMY: THE GOVERNANCE OF AIRPORT CONCESSIONS IN BRAZIL AND ITS STRUCTURAL LIMITS
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Resumo
Este artigo analisa a governança das concessões aeroportuárias no Brasil sob a perspectiva da relação entre a regulação estatal e a autonomia das concessionárias. O objetivo consiste em identificar os limites da autonomia empresarial no âmbito das concessões aeroportuárias brasileiras, investigando de que forma instrumentos regulatórios, contratuais e institucionais condicionam o exercício da gestão privada. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada em análise normativa, doutrinária, jurisprudencial e institucional, complementada por estudo de caso referente ao processo de transferência operacional do Aeroporto Internacional de Goiânia (SBGO), realizado no contexto da Sexta Rodada de Concessões Aeroportuárias. Os resultados demonstram que o modelo brasileiro promoveu expressiva modernização da infraestrutura aeroportuária e ampliou a participação da iniciativa privada, preservando, contudo, elevada densidade regulatória, caracterizada pela atuação da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), pelos mecanismos de controle institucional e pela rigidez dos instrumentos contratuais. A análise evidencia que a autonomia do concessionário não se manifesta de forma absoluta, sendo exercida dentro de parâmetros previamente definidos pelo ordenamento jurídico e pelo ambiente regulatório setorial, configurando uma forma de autonomia regulada. Conclui-se que a governança das concessões aeroportuárias brasileiras se estrutura na busca permanente de equilíbrio entre eficiência empresarial, segurança operacional, estabilidade regulatória e interesse público. O estudo de caso do Aeroporto Internacional de Goiânia demonstra que a transferência da gestão aeroportuária não constitui mera sucessão de operadores, mas um processo complexo de coordenação institucional, transferência de conhecimento e construção gradual da autonomia gerencial.
Palavras-chave: Concessões aeroportuárias; governança aeroportuária; regulação da aviação civil; autonomia empresarial; ANAC.
ABSTRACT
This article analyzes the governance of airport concessions in Brazil from the perspective of the relationship between state regulation and the autonomy of concessionaires. The objective is to identify the limits of corporate autonomy within the scope of Brazilian airport concessions, investigating how regulatory, contractual, and institutional instruments condition the exercise of private management. The research adopts a qualitative approach based on normative, doctrinal, jurisprudential, and institutional analysis, complemented by a case study regarding the operational transfer process of Goiânia International Airport (SBGO), carried out within the context of the Sixth Round of Airport Concessions. The results demonstrate that the Brazilian model fostered significant modernization of airport infrastructure and expanded private sector participation while maintaining a high level of regulatory density, characterized by the role of the National Civil Aviation Agency (ANAC), institutional control mechanisms, and the rigidity of contractual instruments. The analysis reveals that the concessionaire\'s autonomy is not absolute; rather, it is exercised within parameters previously defined by the legal framework and the sectoral regulatory environment, constituting a form of regulated autonomy. It is concluded that the governance of Brazilian airport concessions is structured around the constant pursuit of a balance between corporate efficiency, operational safety, regulatory stability, and the public interest. The case study of Goiânia International Airport demonstrates that the transfer of airport management does not constitute a mere succession of operators, but rather a complex process involving institutional coordination, knowledge transfer, and the gradual development of managerial autonomy.
Keywords: airport concessions; airport governance; civil aviation regulation; corporate autonomy; ANAC.
RESUMEN
Este artículo analiza la gobernanza de las concesiones aeroportuarias en Brasil desde la relación entre la regulación estatal y la autonomía de las concesionarias. El objetivo es identificar los límites de la autonomía empresarial en las concesiones aeroportuarias brasileñas, examinando cómo los instrumentos regulatorios, contractuales e institucionales condicionan el ejercicio de la gestión privada. La investigación adopta un enfoque cualitativo, basado en análisis normativo, doctrinal, jurisprudencial e institucional, complementado con un estudio de caso sobre la transferencia operativa del Aeropuerto Internacional de Goiânia (SBGO), en el contexto de la sexta ronda de concesiones aeroportuarias. Los resultados demuestran que el modelo brasileño impulsó una modernización significativa de la infraestructura aeroportuaria y amplió la participación privada, manteniendo un alto nivel de densidad regulatoria, caracterizado por el papel de la Agencia Nacional de Aviación Civil (ANAC), los mecanismos de control institucional y la rigidez contractual. El análisis revela que la autonomía de la concesionaria no es absoluta, sino que se ejerce dentro de parámetros previamente definidos por el marco jurídico y el entorno regulatorio sectorial, configurando una forma de autonomía regulada. Se concluye que la gobernanza de las concesiones aeroportuarias brasileñas se estructura en torno a la búsqueda constante de equilibrio entre eficiencia empresarial, seguridad operativa, estabilidad regulatoria e interés público. El estudio de caso del Aeropuerto de Goiânia demuestra que la transferencia de la gestión aeroportuaria no es una mera sucesión de operadores, sino un proceso complejo de coordinación institucional, transferencia de conocimientos y desarrollo gradual de la autonomía de gestión.
Palabras-clave: concesiones aeroportuarias; gobernanza aeroportuaria; regulación de la aviación civil; autonomía empresarial; ANAC.
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